São quase 15h30.
Na rádio alguma banda das antigas toca uma música bonita e a
tevê mostra um desenho excessivamente colorido.
Ela pega o bebê no colo e começa a balançar devagar,
murmurando a letra da música, bem baixinho, no ouvido dele.
Antigas canções de rock clássico seguem tocando e um bocado
de sono se misturam para fazer com que se sinta ainda mais sentimental. Aumenta um pouco o som, mas não o suficiente para que o bebê
desperte.
Depois vem Bob Dylan e mesmo sem nunca ter gostado muito daquela voz nasalada começa
a dançar, cabeça baixa, aperta o filhote em seus braços, fecha os olhos e
se sente com 18 anos outra vez. Canta em voz alta, é constrangedor, mas ela não
liga. Numa sala de uma casa geminada, dançando com o filho, de repente se sente
muito feliz.
Sobe as escadas devagar e o coloca no berço. Ao sair do
quarto pisa acidentalmente num brinquedo barulhento. Se volta imediatamente
para o bebê e mesmo dormindo ele sorri. Sorriso lindo, filho lindo...
A casa parece muito quieta agora.
Olha mais uma vez para aquele rosto e se reconhece. Então toma consciência disso e mais de um ano
depois ainda parece não acreditar. Finalmente sai do quarto e pensa que ele é uma
parte dela, talvez a melhor parte...
E nesse momento, mais que felicidade, sente que aquele
fragmento de vida é um jubilo...
Lê, jubilo também eu sinto quando leio os textos que vc escreve. Percebo, mais do que nunca, o quanto a minha menina se tornou uma linda mulher, inteligente e sensível, uma mãe dedicada e excepcional. Uma mulher tão jovem e com tantos predicados...Te amoooo.
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